Mas e ai, gineco homem ou mulher?
Esse é um tema onde há pouco espaço para debate. A resposta padrão aceita é: não importa o sexo, o que importa é que o profissional seja bom. Há uma resposta também bem frequente e que é aceita com a mesma popularidade que é: eu prefiro ginecologista homem, pois são mais atenciosos. Ou respostas como: eu só vou pra homem, porque...(qualquer justificativa). Agora se alguma mulher falar que tem vergonha, sente-se desconfortável ou sente-se insegura em ir a um ginecologista homem, pronto! Ai não pode, "é uma grande bobagem". "Eles são profissionais, fazem isso todos os dias e estudaram para isso." A mulher é logo confrontada. E se alguém disser que eles, médicos homens, têm atração sim pelos corpos de suas pacientes e que por muitas vezes as cobiçam e se por esse motivo um homem disser que não gosta que a sua parceira vá a um ginecologista homem? Você é machista, imaturo, bobo, mente fechada, até um doente, entre outros adjetivos. Falar de um possível desejo de médicos, principalmente um ginecologista, pela nudez de suas pacientes é um tabu. Um bezerro de ouro que não pode nem ser cogitado falar sobre ou sequer questionar sobre.
Escrevo agora sobre o tema, pois deparei-me com uma situação onde minha esposa tinha uma consulta com um ginecologista homem e a questionei, o por quê de ser um homem. Isso gerou um debate entre nossos amigos e amigas e a maioria discordou de mim e claro fizeram piadas, coisas de amigos. Para a maioria desses amigos, médicos são como anjos: são assexuados. Não há diferença entre examinar um homem ou uma mulher e uma boca ou uma vagina
Só que a realidade do que acontece nos consultórios não coaduna com esses discursos tão bonitinhos. Só no Brasil, de 2019 para o meio de 2020, numa pesquisa rápida, pude encontrar cerca de 18 médicos acusados por assédio ou estupro. Esses casos são casos que ganharam repercussão, porque várias mulheres denunciaram tais médicos, pois até para provar fica difícil. Onde eu moro, em Recife, só do ano de 2018 para o meio de 2020 consegui encontrar 4 casos. 1 caso ficou conhecido, pois houve estupros de 12 pacientes e nesse caso o médico não era nem ginecologista. Ele foi preso. Os outros 3 casos eu só tive conhecimento em uma matéria que falava justamente dsobre esse médico estuprador, no final a matéria complementava o tema mencionava esses outros 3 casos que eram acusados por assédio, mas não consegui encontrar nada sobre esses três médicos. E isso é algo muito corrente. Isso também expõe as mulheres, pois elas podem ir a um atendimento com um médico acusado de assédio, não sabem, porque não há informações e essas podem ser a próxima vítima. Pior, nesses casos que encontrei em minha pesquisa, muitos dos médicos já cometiam os abusos há anos. Em um caso específico o médico cometia os assédios e até estupros há 30 anos. Há casos de médicos acusados nos anos 90 e que voltaram a atender e cometeram novamente os abusos.Inclusive não é incomum médicos que enfrentam acusações de assédio continuarem a clinicar.
Eu, particularmente, não acredito nesse conto tão bonito de que o homem, só porque é médico, não vai desejar, cobiçar, aproveitar-se, assediar ou até estuprar sua pacientes desnudas e vulneráveis. E a minha incredulidade nessa história de que ele é profissional e não deseja a paciente não está apenas baseada nos casos que já encontrei, na internet, de assédios ou estupros ou relatos de conhecidas ou coisas que vi, mas sim porque conheço a natureza humana e os aspectos sociais que levam um homem a sempre objetificar sexualmente o corpo da mulher. Então não acredito que um médico com 10, 15, 20 anos de experiência nunca, pelo menos, desejou uma paciente, uma vez sequer em toda essa caminhada. Acreditar nisso é ser muito inocente ou se fazer de inocente.
Abaixo, passo a trazer argumentos para solidificar o que penso.
INSTINTO
O ser humano é guiado por diversos fatores. Um deles é o instinto. O instinto é um impulso natural, que leva a ações inconscientes, ou seja, é independente da razão. É uma predisposição inata para agir impulsivamente.
O ser humano, como já é sabido, também é um animal. Sim, assim como os cachorros, gatos, crocodilos, leões, também temos instintos ou pulsões.
Fome, sede, medo, alegria, tristeza, desejo sexual, insegurança, são sentimentos que tanto seres humanos como animais temos. E qual a diferença entre o ser humano e um cachorro, por exemplo? A diferença é que o ser humano é um ser racional. E apenas com a racionalidade consegue-se controlar os impulsos automáticos gerados pelo instintos.
Ex: o cachorro quando sente raiva de outro cachorro ou até de um ser humano, ele vai partir para cima e vai atacar o seu alvo. O ser humano, por sua vez, irá pensar e por ser um ser racional não vai atacar o outro.
Como o assunto do meu post tem a ver com sexualidade, ainda que pra muitos não faça sentido falar de atração sexual quando o assunto é ginecologista, vou utilizar o desejo sexual como explanação do meu conceito.
Ex: o cachorro, ao ver na rua uma cadela no cio, ele vai pra cima dela e vai tentar ter relação sexual a todo custo. Vários irão atrás dela tentando ter a relação e irão forçar. Já no mundo dos humanos isso ocorre de forma diferente. Um homem passa na rua, vê uma mulher que o atrai, muitas vezes até vai ter um forte desejo sexual por ela, mas vai se controlar ou então vai cometer o crime de estupro. Isso acontece diariamente nas escolas e universidades. Há sempre aquela garota que todos os estudantes enlouquecem por ela, eles têm um desejo grande por ela, mas não irão atacá-la
Claro que tanto em um exemplo como no outro haverá aqueles que ultrapassam a linha do bom senso e deixam que os seus impulsos o domine. Mas esses são a minoria, ainda que sejam em grande quantidade. O que quero dizer com isso é que por sermos racionais freamos os nossos instintos apesar do desejo de se deixar dominar pelos impulsos. Quantos já não tiveram vontade de meter um bufete, soco ou um ponta pé em alguém? Ou teve vontade de matar alguém? Ou teve um desejo sexual por alguém, mas não assediou ou estuprou?
CARGA SOCIAL
O ser humano reflete também os conceitos da sociedade que ele cresceu e vive. Os hormônios e a carga genética vão influenciar em nossos comportamentos, mas o contexto social em que vivemos vai sim ter um grande protagonismo também.
Sabemos que o homem, é um ser visual. Apenas por olhar e ver o corpo da mulher ele já tem grande parte do seu prazer saciado e os impulsos sexuais ficam mais aguçados e nem precisa que ela esteja sem roupa, apenas usando uma roupa curta ou mais justa já traz um efeito avassalador. Não à toa os comerciais de cerveja, cigarro e outros produtos sempre trouxeram mulheres bonitas, sensuais, com pouca roupa. Programas feito chacrinha, Domingo Legal, faustão, A Praça é Nossa, entre outros, sempre exploraram o corpo da mulher como um objeto de desejo do homem. Quem sempre teve revistas de nudismo para comprar(playboy, sexy... ?). Até as revistas que traziam homens nús, como a G Magazine, por exemplo, eram para o público gay masculino. Quem sempre teve acesso a Cabarés? E nesses Cabarés quem sempre foi objeto do desejo dos homens? Mulheres, claro. Até as roupas das mulheres são desenhadas para "valorizar" os seus corpos. Observe o famoso biquíni brasileiro. Para usá-lo a mulher precisa até se depilar e dependendo do modelo há a necessidade de uma depilação completa. E o que falar das músicas, principalmente as de hoje em dia? Funk, passinho, brega e alguns outros gêneros musicais estão sempre objetificando o corpo feminino. Até aquelas que se dizem feministas e que dizem promover o empoderamento das mulheres, fazem-o objetificando o seu próprio corpo e consequentemente os corpos de todas as mulheres. Triste realidade! Então tudo isso faz com que a mente do homem seja uma máquina de objetificar o corpo feminino, o que faz com que ele não a respeite como um outro ser humano e sim a observe como alguém que saciará o seu apetite sexual. Por isso há tantos assédios nas ruas, ônibus, metro.
Do outro lado, as mulheres são reconhecidas por serem mais auditivas ou são mais atraídas pelo toque. Isso ocorre porque as mulheres sempre foram reprimidas e sempre tiveram posição inferior em relação aos homens dentro da sociedade. Eram realmente propriedades e estavam sob o julgo de seus proprietário, sendo traídas, abusadas, violentadas e por muitas vezes nem podiam escolher o seu marido, já tinham casamentos definidos pelos pais. Além disso não tinham acesso à liberdade sexual, não eram expostas à sexualidade na TV, ruas ou outros locais. Então fica fácil entender que ao serem bem tratadas e ao ouvirem coisas agradáveis elas se derretiam e isso é claro vai passando às próximas gerações e ainda que as coisas tenham mudados um pouco, nos tempos de hoje, as mulheres continuam com essa característica.
Há também fatores hormonais que guiam tanto um quanto o outro que nem vou entrar nessa seara.
MÉDICO HOMEM
Com o médico homem não ocorreu diferente. Ele também sofreu e sofre a carga dos impulsos instintivos e a carga social. Desde pequeno ele foi exposto à objetificação do corpo da mulher.
Eu realmente acredito que por sua frequente exposição à nudez no seu dia a dia, não é toda e qualquer nudez que vai atrair a atenção do médico, seja qual for a área de atuação. Porém, há aquelas pacientes que estão dentro de um padrão que atraem qualquer homem e aquelas que se encaixam dentro do seu próprio padrão.
Ex: o médico tem aquele esteriótipo de mulher que o agrada. Quando ele vai ao restaurante, bar, balada, mercado, as mulheres dentro desse padrão chamam a sua atenção. Então ele é ginecologista e recebe uma mulher desse porte em seu consultório. Ao examiná-la ele não vai ter o prazer de tê-la nua em sua frente? Lá fora ela o atrairia, mas ao entrar no consultório ele apertou um botão que apagou toda a sua programação e agora ele apenas vê em sua frente uma reprodução dos seus estudos de anos. Para eu acreditar nessa história tão bonitinha eu teria que ser convencido que depois de ver tanta mulher pelada esse cara teve a vida sexual afetada e hoje ele não tem ereção com mulher nenhuma, pois pra ele o corpo da mulher virou algo tão sem graça de tanto ver no exercício de sua profissão que ele nem quer mais isso na sua frente.
Esse exemplo me fez lembrar de um caso que aconteceu agora em Julho de 2020. Um ginecologista, já com os seus 70 anos(décadas de atuação. Inofensivo, não é?) assediou uma jovem dentro do ônibus. Ai questionei, uma pessoa que defende que médico não sente atração por suas pacientes, que se essa garota do ônibus tivesse ido ao consultório dele as coisas teriam sido diferentes, pois dentro do consultório examinar uma vagina e uma boca é a mesma coisa e a resposta dela foi que sim, dentro do consultório seria diferente...
Mas o que leva as pessoas a acreditarem cegamente que homens só porque são médicos não têm atração por suas pacientes? O que leva as mulheres a se sentirem tão seguras e até a vontade em consultas ginecológicas com um médico homem?
Como eu falei no começo da postagem, existe uma crença, imposta pela sociedade de que não importa o sexo do médico, pois ele irá sempre ser profissional, como se o cara não pudesse agir naturalmente, mesmo cobiçando a paciente em sua mente, passando a sensação de muito profissionalismo. Quem sabe ele está até filmando o atendimento, como já houve diversos casos. Mas de onde vem essa crença irrefutável?
Primeiro, até pelo que escrevi acima sobre o contexto social, as mulheres eram realmente tratadas como posse dos seus maridos e antes de casar eram posse dos pais. Mulher mal estudava e muito menos trabalhava. Então todos os médicos eram homens. Imagina se o sexo do médico fosse levado em consideração e as mulheres decidissem deixar de ir à ginecologistas homens? Imagina o caos? Se isso acontecesse hoje ainda assim haveria um caos tanto no serviço público quanto no privado, imagina décadas atrás.
Poucos casos vêm ao conhecimento do público, pois as mulheres sentem-se impotentes para denunciar, até porque é muito difícil provar.
Há um corporativismo da classe médica, os conselhos, por exemplo, são bem lenientes na hora de tomar uma postura e essa leniência não é só com assédio sexual, mas com outras faltas éticas dos médicos também.
O médico é visto na sociedade de forma respeitosa e admirável, tendo uma posição mais elevada e torna-se incorruptível.
Com tudo isso, criam-se verdades irrefutáveis e acaba acontecendo lavagem cerebral coletiva e criam-se mantras que as pessoas repetem robotizadamente como os "ele é profissional", "estudou pra isso", "médico vê gente pelada todos os dias, está acostumado", "pra médico ver cara e ver bunda é a mesma coisa". A lavagem cerebral é tão grande que vi em relatos de muitas mulheres que foram abusadas que elas perceberam que foram abusadas e não acreditaram no que elas mesmas estavam presenciando. Pensaram: "não é possível, ele é médico." "Eu devo estar enlouquecendo, ele não faria isso". "Deve ser parte do exame". Vi o relato de uma paciente de 30 anos, que já tinha experiências com atendimento ginecológico, que percebeu que estava sendo abusada, mas achou tão absurdo que um médico abusasse de uma paciente, que ela achou que fosse coisa da cabeça dela. Então ela tinha uma volta marcada e voltou para o mesmo ginecologista e ai ele foi mais incisivo no seu abuso e então a ficha dela caiu. Provavelmente ele achou que ou ela gostou ou era muito inocente e então resolveu dar passos mais largos e sem pudor algum. Há casos de mulheres que ficaram com dúvidas se o ginecologista havia as abusado e apenas depois de anos ou até décadas viram que o cara foi preso ou recebeu várias acusações e só ai tiveram a certeza que foram assediadas ou abusadas. Também vi um caso de uma garota de 12 anos que precisava ir ao ginecologista, mas só queria ir se fosse pra uma médica e a sua mãe marcou a consulta com um homem. Ela só soube lá na clinica que seria atendida por um homem. Queria desistir e sua mãe disse que ela deveria ir e que tinha marcado um homem, apesar da garota querer uma mulher, "porque homem é melhor". Ainda deixou a menina ir sozinha e ela foi abusada. A garota falou pra mãe o que aconteceu e a mãe teve medo de levar isso pra frente e nem ao pai da menina contou.
Isso ocorre nos consultórios mais do que imaginamos, muitas vezes é tão sutil que as mulheres nem percebem.
Mas gostaria de dar ênfase a três casos bem particulares: casos de médicos renomados, portanto acima de qualquer suspeita, que ainda após serem acusados por várias mulheres, ainda houvem quem os defendesse, inclusive maridos e em dois casos após serem soltos para serem investigados continuaram atendendo e ainda têm uma legião de mulheres que vão ao consultório e os idolatram. O que mais me chamou a atenção não foi os abusos dos médicos, isso pra mim é algo tão lógico que pode acontecer que nem chamou a minha atenção. O que realmente me deixou admirado foi a reação de quem os defendia e o fato de muito rápido eles votarem a atender e serem procurados por muitas mulheres.
Ginecologista A foi acusado por 20 pacientes de tê-las abusado. Ainda assim algumas pacientes defenderem o cara diante de 20 acusações formais(esse número ainda aumentou depois) e até um marido de uma paciente o defendeu. O caso é o seguinte: um renomado ginecologista/obstetra foi acusado por 20 mulheres de ter as assediado. Em minha pesquisa cheguei a um fórum que mulheres debatem coisas de mulher. Então uma mulher que iria fazer o parto com ele, em 2017, pediu referências dele. Uma outra respondeu que havia odiado o atendimento dele, porque em 2016 havia sido abusada por ele e por isso não havia feito o parto com esse médico. Em seguida uma outra usuária do fórum, em resposta a essa acusação, disse que tinha tido um parto com ele havia 1 semana e que amou e falou que cada um tem uma experiência e a dela tinha sido boa. Os anos se passaram e em 2019 uma outra usuária marcou a postagem de 2017 daquela que havia denunciado o abuso e falou ter visto na TV que ele havia sido preso, pois uma paciente o havia denunciado. Em seguida uma outro falou que também tinha sido abusado, mas que quando aconteceu a sua própria mãe e seu marido a desacreditaram dizendo que um homem tão importante como ele não faria isso(claro, sofreram a lavagem cerebral) e a coitada teve que sofrer o trauma sozinha, na sequência outra falou que há 5 anos haviam também tido essa experiência negativa com ele, ou seja, 2014. O impressionante é que logo em seguida uma outra usuária disse que fez o pré-natal com ele, e mesmo vendo as acusações e sabendo que ele tinha sido preso, falou que amou o seu atendimento e disse que o indicaria para outras. Ora, se já em 2017, nesse fórum, a menina que falou ter sido abusada em 2016 tivesse sido levada a sério, muitas mulheres teriam sido poupadas. Se o marido e a mãe da paciente que disse ter sido abusada tivessem acreditado nelas e tivessem denunciado, várias mulheres teriam sido poupadas, se a mulher que fez referência a 2014 não tivesse ficado calada, várias mulheres teriam sido poupadas. Esse, pelo menos, até onde eu sei não está atuando mais.
Um outro caso é de um médico com os seus 36 - 42 anos, mais ou menos que foi acusado por 24 mulheres. Como conhecemos a justiça no Brasil ele voltou a atender rapidamente e o médico acusado em maio de 2019, com acusações do mesmo ano e de outros como 2015, por exemplo, já tem referências positivas de novembro de 2019, fevereiro e abril de 2020 em um site que tem perfil de médicos e você pode deixar uma referência sobre ele. Encontrei até o depoimento de um marido defendendo o ginecologista e dizendo que sua esposa continua indo para ele.
Também há o caso de um professor de medicina, quem também é ginecologista e obstetra, que foi acusado por algumas mulheres, inclusive alunas também, e logo em seguida voltou a atender e é cheio de boas referências e defensores.
A lista de bizarrices é extensa! Houve casos bizarros de mulher com câncer de mama sendo assediada ao fazer mamografia, grávida de 9 meses ao fazer o preventivo, mulher sendo socorrida na emergência por conta de um aborto e o médico a assediou, garota que tinha um problema e o médico falou que era outro. Ele disse ser uma pubalgia. No tratamento ela precisava se despir ele tocava o seu púbis e a região intima. Essa garota passou um bom tempo fazendo um tratamento inadequado pra um problema que ela não tinha, enquanto sofria com dores esse tempo todo. Houve outra história de um ginecologista acusado por algumas pacientes e que era conhecido pelas funcionárias da clínica como o médico tarado e continuava atuando, porque essas nem ninguém ainda o havia denunciado. Então são muitas histórias e essas histórias só aumentam as estatísticas.
Eu tive uma experiência, em relação a minha esposa, com um médico quem nem ginecologista era. O atendimento foi com um gastro. Estávamos ambos aguardando na recepção até que ela foi chamada. Ela levantou rápido e foi na frente e eu fui atrás dela o suficiente para ver que ao abrir a porta ela foi recebida com um sorriso, que foi logo transformado em cara sisuda quando ele percebeu que eu vinha entrando logo atrás. No começo do atendimento ele estava bem ríspido, o que mudou um pouco pelo fato de minha esposa ser estrangeira e ele ter ficado interessado na história dela aqui no Brasil. Ele fez muitos elogios a ela, dizendo que ela era muito bonita, até ai tudo bem, apesar de não ser papel de um médico ficar elogiando a beleza da paciente, até ai tudo bem, eu estava com ela ele não iria além de fazer esses elogios. Acontece que ao final do atendimento, quando a minha esposa levantou da cadeira o short jeans que ela estava usando deu uma subida. Minha esposa não usa roupa curta vulgar, até pela sua cultura, mas realmente o short terminou marcando as suas virilhas e ele descaradamente deu uma encarada nas partes intimas dela. Na hora mordi a língua para não ironizá-lo e soltar uma piada. Mas a verdade é que ele na posição de médico, que estava lá para ajudar a minha esposa com um problema que ela tinha, não conseguiu se conter e deixou transparecer que teve atração sexual por ela, mesmo eu estando lá. Agora imaginem se ele precisasse fazer algum exame que ela precisasse se despir: qual seria o olhar que ele teria ? Olhar puramente clínico? Tenho as minhas dúvidas(mentira, tenho certeza). E se eu não me sentisse confortável em saber que a minha esposa seria examinada, sem roupa, por ele? Eu seria considerado machista ou um doente.
Então, como no exemplo que trouxe da minha esposa não é apenas o ginecologista que assedia. Há casos de clinico geral, mastologista, cardiologista, dermatologista e até oftalmologista, mas claro que os ginecologistas lideram a estatística. No caso da minha esposa ela não foi assediada,no sentido mais profundo da palavra, mas pelo comportamento do médico ela poderia ter sido.
Agora imagina se a minha esposa resolvesse ir pra algum desses médicos que protagonizaram os casos que citei acima. Alguns bem experientes, renomados, respeitados. Por exemplo o médico respeitado e renomado que foi acusado por 20 e foi defendido por algumas no fórum. Se minha esposa tivesse marcado uma consulta com ele e eu fizesse oposição a essa escolha? Além de ser zoado pelos meus amigos, muitos me chamariam de imaturo, machista, doente. E se eu cedesse a pressão e falasse que pra estaria ok ela ir? Ele provavelmente seria a vítima de número 21. Então não mudo a minha posição. Não que eu possa obrigar a minha esposa a não ir. A decisão é dela, mas ela já sabe de minha total insatisfação.
Claro que existe a possibilidade de esses casos de acusações serem invenção, todos ou alguns. Mas o problema é que muitos casos não serão comprovados, porque é apenas a paciente e o médico, ainda, muitos casos não virão à tona, pois muitas mulheres terão medo. Acredito que a maioria esmagadora dos médicos nunca abusaram ou abusarão de uma paciente, isso concordo e não tenho dúvida. Agora afirmo com toda certeza que, fora uma ou outra exceção, que acredito que possa existir, todo médico homem, principalmente os ginecologistas, já sentiu atração ou ainda ficou excitado pela nudez de sua paciente. Então, ainda que seja algo difícil de acontecer que a minha esposa seja assediada ou estuprada em uma consulta com um médico homem, ainda me incomoda a possibilidade(que considero alta, não só com a minha esposa) de um cara admirar, desejar, excitar-se com a nudez de minha esposa, principalmente estando ela em uma posição tão vulnerável.
Mas e a saúde dela não está em primeiro lugar? O seu machismo não vai matar a sua esposa ou deixá-la enferma?
Claro que a saúde de minha esposa está em primeiro lugar. Por isso, chegamos num acordo de que se form uma consulta de rotina, coisa simples e ela tiver a opção de escolha, que escolha-se uma mulher. Escolher alguém para acompanhá-la por vários anos que seja uma mulher. Uma colposcopia, papanicolau, tratar uma infecção, fazer uma transvaginal, ultrassom das mamas, coisas tão simples e que você pode escolher, por que escolher um homem? Agora, claro, em um caso de emergência não há que escolher. Você chegar no hospital e ai vai deixar de ser socorrida porque é um homem? Claro que não. Ou no caso de um procedimento mais delicado, tipo uma cirurgia mais complexa. Vai escolher o sexo do médico? Se o cara for o melhor de todos, claro que é ele quem vai tratar a minha esposa, nesse caso não importa o que eu acho sobre tudo que narrei acima, o que importa é a saúde e a vida de minha esposa, não quero nem saber o que está na mente do médico. Porém fora essas situações específicas, minha esposa e filhas não vão a homens ginecologistas, mastologistas, dermatologistas ou qualquer outra especialidade que precise de um exame físico em que elas precisem estar desnudas, salvo se for uma situação realmente inevitável, que não haja escolha ou a escolha comprometa a sua saúde, por exemplo. Machismo? Não acho que seja, mas se alguns assim acham, então eu sou machista, mas continuarei protegendo as minhas de tais situações, inclusive é o meu papel como esposo e pai.
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